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Roupas de Proteção para Motos em 2026: Materiais, Etiquetas CE e Nova Regulamentação DGT

Descubra as obrigações da DGT para motociclistas, aprenda a decifrar as etiquetas CE do seu equipamento e conheça os materiais de última geração (Kevlar, UHMWPE, Superfabric) que competem com o couro.

Fran
1 de abril de 2026
6 min de lectura

O mundo do equipamento para motociclistas profissionalizou-se de forma sem precedentes. Longe vão os tempos em que uma simples jaqueta de couro e umas calças de ganga comuns pareciam suficientes. Hoje em dia, a segurança já não é opcional, é um requisito técnico validado por laboratórios e, cada vez mais, exigido por lei.

Se quer saber se a roupa que veste o protegerá realmente numa queda ou se arrisca uma multa com a nova regulamentação, este guia interessa-lhe.

1. Novidades Legais: A rigorosa regulamentação da DGT em 2026

A Direção Geral de Trânsito (DGT) implementou importantes reformas de segurança que entraram em vigor plenamente em janeiro de 2026. Pode consultar todos os detalhes no nosso Guia sobre a regulamentação DGT 2026 para motos. A liberdade na estrada acarreta agora obrigações claras:

  • Luvas certificadas obrigatórias: Circular em vias interurbanas exigirá obrigatoriamente o uso de luvas certificadas sob a norma europeia EN 13594. O incumprimento pode resultar em multas de 200 euros e perda de pontos na carta. Acabaram-se as luvas sem dedos ou de lã.
  • Calçado fechado: As novas normas proíbem estritamente conduzir de chinelos, sandálias ou qualquer calçado mal preso. Deve usar calçado que cubra totalmente o pé e o tornozelo, sendo altamente recomendáveis as botas com certificação EN 13634, que superam testes de rigidez transversal, resistência ao corte e à abrasão.

2. Couro vs. Têxteis: A revolução dos materiais

Historicamente, o couro de vaca ou canguru tem sido o rei indiscutível pela sua tremenda resistência à abrasão. No entanto, a inovação em tecidos sintéticos é imparável e hoje competem cara a cara com a pele, oferecendo vantagens em peso, impermeabilidade e conforto. Para mais dicas sobre equipamento, visite o nosso fórum de motas.

  • Cordura: Criado pela DuPont, é um nylon 6-6 (poliamida) altamente resistente ao rasgo e à abrasão. É o material sintético por excelência em jaquetas Touring, variando a sua dureza consoante a sua densidade (ex. Cordura 500D ou 1100D).
  • Kevlar: Esta poliamida é 5 vezes mais forte que o aço com o mesmo peso. Por ser extremamente resistente ao calor e à tração, é frequentemente usado como forro interior protetor ou nas zonas críticas das calças de ganga de mota.
  • UHMWPE (Polietileno de ultra alto peso molecular): Um material de tecnologia aeroespacial que permite criar peças de camada única (como calças de ganga ou jaquetas) sumamente leves, mas que atingem o nível máximo de proteção (AAA).
  • Superfabric: É uma verdadeira armadura modular. Consiste numa base de nylon revestida com minúsculas placas de cerâmica que dispersam a energia do impacto e oferecem uma resistência extrema.

3. A entender as etiquetas CE: O que significam as letras?

Todo o equipamento vendido como "roupa de mota" deve ser considerado Equipamento de Proteção Individual (EPI) e ostentar a marcação CE. A norma que rege as jaquetas e calças é a EN 17092, que classifica as peças em cinco categorias após submetê-las a testes de abrasão e resistência de costuras em máquinas de laboratório (como a máquina de Darmstadt). Pode encontrar promoções de equipamento para motas certificadas.

  • Classe AAA: A máxima proteção possível contra impactos e abrasão. Pensada para competição, pista ou altas velocidades em estrada.
  • Classe AA: Proteção alta. É o equilíbrio perfeito para a maioria dos motociclistas que realizam viagens de mota em estrada ou turismo (Touring).
  • Classe A: Proteção moderada. Ideal para uso urbano e velocidades médias, oferecendo o máximo conforto e leveza.
  • Classe B: Peça que oferece apenas resistência à abrasão, mas não inclui proteções contra impactos (cotovelos, ombros). Deve usar proteções separadamente.
  • Classe C: Roupa interior de malha concebida unicamente para suportar as proteções contra impactos. Não oferecem qualquer resistência à abrasão, pelo que devem ser sempre usadas por baixo de peças de classe AAA, AA, A ou B.

4. Proteções interiores (EN 1621): Nível 1 vs Nível 2

Além do tecido, as proteções que usa nos cotovelos, ombros, joelhos e costas são o seu escudo contra fraturas. Estas regem-se pela norma EN 1621.

O aspeto mais crítico de qualquer protetor é a sua capacidade de absorver energia. Em laboratório, deixa-se cair um peso de 5 kg de um metro de altura com uma energia de 50 Joules. Aqui é vital conhecer a diferença:

  • Nível 1: Transmitem uma força máxima ao corpo de 35 kN (em extremidades) ou 18 kN (nas costas). É a proteção básica.
  • Nível 2: São superiores e altamente recomendáveis. Absorvem muito mais energia, limitando a força transmitida ao seu corpo a apenas 20 kN (extremidades) ou um máximo de 9 kN (costas). Encontre o seu equipamento nas lojas de acessórios para motas da sua zona.

Conclusão

A sua segurança na mota já não depende da intuição ou de promessas publicitárias, mas sim da ciência e da certificação. Antes de arrancar a mota, abra a sua jaqueta, procure a etiqueta com o símbolo do motociclista e verifique as suas letras. Certifique-se de que investe em peças certificadas: não só cumprirá as novas e rigorosas normas da DGT, como também estará a proteger a sua vida com eficácia comprovada.

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